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PF investiga suspeita de que Jaques Wagner recebeu apartamento, R$ 3,5 milhões e outras vantagens em troca de atuação política

Decisão do STF que embasa nova fase da Operação Compliance Zero aponta suspeitas de repasses financeiros, imóvel de luxo e benefícios ligados a interesses do Banco Master

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A investigação que deu origem à 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 18, apura suspeitas de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, tenha recebido vantagens indevidas em troca de suposta atuação em favor de interesses relacionados ao Banco Master no Congresso Nacional.

De acordo com decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), baseada em representação da Polícia Federal, os investigadores analisam uma relação considerada próxima entre o parlamentar e o ex-banqueiro Augusto Lima, apontado como aliado estratégico do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Segundo a apuração, mensagens, áudios, registros telefônicos, contratos, comprovantes de transferências bancárias e documentos obtidos em fases anteriores da investigação indicariam tratativas envolvendo interesses privados do grupo financeiro e possíveis contrapartidas ao senador.

Entre os benefícios que estariam sob investigação estão um apartamento localizado em Salvador, avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, repasses financeiros que somariam R$ 3,5 milhões, uso de aeronaves particulares e ingressos para eventos, incluindo um show realizado em Los Angeles, nos Estados Unidos.

A Polícia Federal também investiga se Jaques Wagner teria atuado em pautas de interesse do grupo, como propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado, à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023 e à fiscalização da possível aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Conforme a decisão judicial, os supostos repasses financeiros não teriam sido feitos diretamente ao senador. A investigação aponta que os valores teriam sido transferidos por uma empresa ligada ao núcleo de Augusto Lima para uma empresa vinculada ao núcleo familiar de Jaques Wagner.

Em um dos diálogos citados nos autos, o enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, teria cobrado recursos financeiros de Augusto Lima. Posteriormente, segundo a decisão, uma transferência de R$ 3,5 milhões foi realizada para a empresa BN Financeira Ltda., que é mencionada pelos investigadores como ligada à família do parlamentar.

A Polícia Federal também afirma que a BN Financeira foi constituída como microempresa e, apesar de apresentar aparente baixa capacidade operacional, teria recebido valores elevados em contratos relacionados ao Banco Master ou a empresas vinculadas ao grupo.

Augusto Lima, por sua vez, afirmou por meio de sua defesa que sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência e respeito às normas aplicáveis ao sistema financeiro e à administração pública.

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