A tentativa da defesa do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, de utilizar um diagnóstico médico de disfunção sexual para afastar as acusações de assédio sexual foi rebatida pelo Ministério Público Federal (MPF).
Em manifestação apresentada no processo administrativo que tramita no STJ, o órgão argumenta que o laudo urológico anexado pelos advogados do magistrado, que aponta uma disfunção sexual de grau moderado, não comprova a impossibilidade de ocorrência dos episódios relatados pelas denunciantes.
Para embasar seu entendimento, o MPF citou o depoimento de um médico ouvido durante a instrução do caso. Na ocasião, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e relator do procedimento disciplinar, Luis Felipe Salomão, questionou o especialista sobre a compatibilidade entre o estado de saúde de Buzzi e uma das situações narradas por uma das mulheres. Segundo o médico, as limitações apresentadas pelo ministro não inviabilizariam a prática das condutas descritas.
Ainda de acordo com o depoimento, embora o magistrado enfrente restrições físicas decorrentes de problemas de mobilidade, equilíbrio e força muscular, essas condições não seriam suficientes para descartar a possibilidade dos fatos investigados.
A manifestação do MPF responde à estratégia adotada pela defesa de Buzzi, que apresentou documentos médicos com o objetivo de contestar as acusações de importunação e assédio sexual atribuídas ao ministro.
Desde abril, Marco Buzzi responde a um processo administrativo disciplinar aberto pelo STJ para apurar denúncias feitas por duas mulheres.
