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PF aponta que emendas de Valdemar foram destinadas a cidades estratégicas para o PL antes das eleições de 2024

Segundo a PF, R$ 97 milhões dos R$ 119 milhões ligados ao presidente do PL foram empenhados dias antes do prazo que antecedeu o pleito municipal

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A maior parte dos R$ 119 milhões em emendas parlamentares que, segundo a Polícia Federal (PF), foram indicadas pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi liberada na semana anterior ao prazo final para transferências federais antes das eleições municipais de 2024. A informação é do O GLOBO.

De acordo com a investigação, R$ 97 milhões foram destinados nesse período para municípios como Suzano, Caraguatatuba, Bebedouro e Ubatuba, em São Paulo, além de Porto Seguro, na Bahia, e Rio de Janeiro. Com exceção de um repasse de R$ 6 milhões ao Rio, realizado em 1º de julho, todas as demais emendas foram empenhadas em 26 de junho de 2024.

Os recursos, destinados à área da Saúde, foram transferidos na modalidade de custeio, permitindo uso imediato pelas prefeituras. A legislação determina que metade das emendas parlamentares seja destinada ao setor.

Segundo a investigação, boa parte dos recursos foi destinada a municípios onde candidatos do PL ou apoiados pelo partido disputaram as eleições municipais de 2024. Suzano recebeu R$ 26,8 milhões, Porto Seguro R$ 24,9 milhões e Caraguatatuba R$ 23 milhões, os maiores valores identificados.

Após as eleições municipais, foram destinados R$ 9,5 milhões para Santa Fé do Sul (SP) e R$ 4,7 milhões para Morro do Chapéu (BA), em dezembro de 2024. Ao longo de 2025, os repasses passaram a variar entre R$ 220 mil e R$ 3 milhões por município, principalmente para ações na área do turismo.

A Polícia Federal afirma que as emendas eram indicadas por Valdemar Costa Neto, embora ele não exerça mandato parlamentar. Segundo a investigação, os recursos eram registrados em nome de deputados como “solicitantes”. Com base na apuração, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do dirigente e suspendeu a execução das despesas relacionadas às emendas.

Ao jornal, Valdemar negou ter cometido qualquer irregularidade e afirmou que deputados cedem parte das emendas das comissões para apoiar prefeitos ligados ao partido.

A investigação também cita documentos da Prefeitura de Caraguatatuba que atribuíram ao presidente do PL a autoria de duas emendas para a Saúde, identificadas como “Comissão da Saúde — Waldemar Costa Neto”. O registro difere da documentação da Câmara dos Deputados, que atribuía formalmente as emendas à liderança do PL. Segundo a Polícia Federal, as indicações eram feitas por Valdemar Costa Neto, apesar de ele não exercer mandato parlamentar.

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