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Mercado de vinhos registra queda dos rótulos mais baratos e avanço dos premium

Os vinhos premium ampliaram participação no mercado, responderam por um terço da receita das importações e atingiram o maior valor médio dos últimos dez anos, de US$ 31,2 por caixa

Foto: Divulgação

O mercado brasileiro de vinhos registrou mudanças importantes no início de 2026. De acordo com um estudo da consultoria Ideal.BI, a redução do poder de compra das famílias de renda média-baixa impactou diretamente a demanda por rótulos importados mais acessíveis, que tiveram queda de 9% no volume comercializado.

Em sentido oposto, os vinhos de categoria premium ganharam espaço entre os consumidores. No primeiro trimestre do ano, esses produtos responderam por cerca de um terço da receita obtida com importações e alcançaram o maior valor médio da última década, chegando a US$ 31,2 por caixa de nove litros.

O levantamento mostra ainda que o setor movimentou R$ 4,18 bilhões nos três primeiros meses de 2026 e atingiu um recorde de abastecimento, com 10,22 milhões de caixas disponíveis no mercado, crescimento de 12% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo a consultoria, parte desse avanço está relacionada à expectativa do segmento em torno da implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que pode ampliar as oportunidades para o setor.

A América do Sul consolidou sua posição como principal fornecedora de vinhos para o Brasil, respondendo por 65% dos embarques realizados no período. O maior avanço veio do Uruguai, que ampliou suas vendas ao mercado brasileiro em 44%, seguido pela Argentina, com crescimento de 16%.

No segmento de espumantes, houve aumento de 9% no volume comercializado internamente. Entretanto, as importações recuaram 24%, influenciadas principalmente pela forte redução dos embarques provenientes da Espanha, que caíram 57%.

Para Felipe Galtaroça, CEO da Ideal.BI, o desempenho recorde do mercado também reflete a retomada dos vinhos tintos importados. Após dois anos consecutivos de retração, a categoria recuperou participação e passou a representar 70% do faturamento total do setor.

Já os vinhos rosés perderam espaço e ficaram com apenas 5% da receita do mercado, enquanto os brancos mantiveram participação estável, concentrando cerca de 25% do faturamento.

Apesar do aumento no abastecimento, o consumo apresentou pouca variação no início do ano. As vendas de vinhos cresceram apenas 1,2%, enquanto o consumo de espumantes registrou queda de 1,4%.

As projeções da Ideal.BI indicam que o mercado brasileiro deverá encerrar 2026 com uma produção de 56,8 milhões de caixas de vinho, volume 6,9% superior ao registrado em 2025. A expectativa para os espumantes também é positiva, com produção estimada acima de 4 milhões de caixas.

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