Em duas semanas, três retratos bem diferentes da mesma eleição.
Em 12 de agosto, a Atlas/Focus deu a Ciro Gomes (PSDB) 49,3% contra 44,6% de Elmano de Freitas (PT). Vantagem de 4,7 pontos. No dia seguinte, o Datafolha, contratado pelo O POVO, foi mais longe. Ciro com 52%, Elmano com 33%, 19 pontos de distância. E ontem, 20, a Real Time Big Data virou esse quadro de cabeça para baixo. Ciro e Elmano empatados, 44% a 44%.
Três pesquisas sérias com números que não conversam entre si. É por isso que registro no TSE importa, mas não é tudo.
A explicação não está em fraude, mas em método. Cada instituto pondera a amostra de um jeito, define diferente como entrevista (de forma presencial, eletrônica ou telefônica) e vai a campo em datas distintas. A Real Time, por exemplo, ouviu eleitores entre 15 e 19 de agosto, quase uma semana depois do Datafolha.
A partir deste ano, toda pesquisa de conhecimento público precisa constar no sistema PesqEle até cinco dias antes da divulgação, com metodologia, plano amostral, margem de erro e até declaração assinada pelo estatístico responsável, pela Resolução TSE nº 23.747/2026.
É uma forma de mostrar transparência sobre como a pesquisa foi feita, mas não é uma garantia de que os institutos cheguem ao mesmo número. Prova disso é que até pesquisa registrada (AtlasIntel) já foi suspensa por decisão do TSE neste ano, por suspeita de questionário indutor.
Tem também as pesquisas internas, que partidos contratam para uso próprio e não são publicadas . Elas são úteis para estratégia de campanha, mas sem questionário ou amostra abertos ao escrutínio público.
E um dado que atravessa as três pesquisas merece atenção. Em todas elas, a aprovação de Elmano supera sua intenção de voto, 54% no Datafolha, 58% na Real Time Big Data. Aprovar a gestão e ainda assim declarar voto em outro candidato não é contradição, é o tipo de nuance que uma pesquisa capta, mas uma manchete isolada pode apagar. Por isso, uma leitura bem feita importa tanto.
Não se pode confiar em uma manchete isolada, seja ela favorável a Ciro, a Elmano ou qualquer outro candidato. E tem mais: número estadual não decide eleição. Quem decide é cidade por cidade. Antes de repetir o número que mais circulou no grupo de WhatsApp, vale se perguntar se essa pesquisa foi feita perto de você ou só perto da capital.
