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Lula é maioria no Ceará, mas o Governo do Estado quem vai decidir é o interior

Se o interior sempre decidiu, é o eleitor daqui, não o de Fortaleza, nem a média nacional que elege Lula com folga, quem vai dizer se o PT continua no Palácio da Abolição

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Brasil está dividido geograficamente na disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Sobre isso, o cientista político Felipe Nunes apresentou uma análise interessante comparando os votos de 2022 com as intenções de votos de hoje em alguns estados.

O Maranhão, por exemplo, apareceu numa pesquisa Quaest/Genial, divulgada nesta terça-feira, 25, com Lula saltando de 52% do voto de 2022 para 58% de intenção agora, um crescimento fora da margem de erro. O Ceará segue sendo um dos redutos mais sólidos do presidente. Em pesquisa Quaest/Genial de 30 de julho, Lula tinha 55% das intenções de voto entre cearenses contra 22% de Flávio Bolsonaro.

É uma vantagem de fazer inveja a qualquer candidato, mas essa força não escorre automaticamente para a disputa estadual.
Na mesma pesquisa de julho, Ciro Gomes (PSDB) já aparecia à frente de Elmano de Freitas (PT) para o governo. O Datafolha, em 13 de agosto, foi mais contundente, colocando Ciro com 52% no primeiro turno contra 33% de Elmano, vantagem que se mantém no segundo turno, 55% a 37%.

Já o Real Time Big Data, uma semana depois, em 20 de agosto, mostrou o cenário de empate técnico, com 44% a 44% no formato estimulado, com Elmano até à frente no espontâneo. Ou seja, o cearense reelegeria Lula sem pensar duas vezes, mas sobre o Governo do Ceará ainda há uma indecisão, tanto que os institutos destoam uns dos outros nos resultados.

É aqui que entra o argumento do colunista Érico Firmo, do O POVO. Desde a redemocratização, todo pleito competitivo no Ceará foi decidido fora de Fortaleza.

Capitão Wagner venceu na capital em 2022 e perdeu a eleição. Eunício bateu Camilo em Fortaleza, em 2014, e também perdeu. Não é por acaso que o debate para governador hoje, 27, promovido pelo O POVO, aconteça pela primeira vez fora da capital, no Cariri. A campanha sabe onde o jogo vai se resolver.

A vantagem nacional de Lula garante força política, mas a disputa estadual tem uma outra dinâmica. Isso vai depender de como o governo é sentido em cidades como Quixadá, Quixeramobim e Canindé, longe das médias estaduais que hoje oscilam pesquisa a pesquisa.

Se o interior sempre decidiu, é o eleitor daqui, não o de Fortaleza, nem a média nacional que elege Lula com folga, quem vai dizer se o PT continua no Palácio da Abolição.

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