O Brasil se aproxima de mais uma eleição carregando uma pergunta que não pode ser ignorada: o que aconteceu com a confiança do cidadão nas instituições?
Nos últimos meses, três assuntos passaram a ocupar de maneira intensa o debate nacional: a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal, as investigações relacionadas ao Banco Master e o escândalo dos descontos indevidos que atingiu aposentados e pensionistas do INSS.
São episódios diferentes, com personagens, circunstâncias e responsabilidades que precisam ser individualizadas. Mas existe um ponto em comum entre eles: todos colocam o Estado diante da obrigação de investigar, esclarecer e responsabilizar, sempre dentro da lei.
A crise no STF ganhou novos contornos nos últimos dias, com o confronto entre ministros e os desdobramentos das investigações relacionadas ao caso Banco Master. O próprio presidente da Corte, Edson Fachin, afirmou que a gravidade dos fatos exige uma resposta firme, mas também respeito ao devido processo legal.
No caso Banco Master, as investigações apontam para suspeitas de fraudes financeiras e possíveis relações impróprias envolvendo diferentes agentes. A CVM, por exemplo, aplicou recentemente multas milionárias em processos relacionados a práticas fraudulentas atribuídas ao banco e a pessoas ligadas ao seu antigo controle.
E há ainda o caso do INSS, talvez aquele que mais diretamente toca a vida do cidadão comum. A suspeita de descontos associativos indevidos atingiu aposentados e pensionistas, justamente uma parcela da população que muitas vezes depende daquele benefício para sobreviver. O tamanho do problema e a necessidade de ressarcimento tornam ainda mais importante que os responsáveis sejam identificados e punidos.
Mas existe algo que precisa ser dito com muita clareza.
O eleitor não pode ser obrigado a esperar indefinidamente por respostas.
Investigações complexas precisam de tempo. O devido processo legal precisa ser respeitado. Ninguém deve ser condenado antecipadamente pela opinião pública. Mas o tempo da Justiça não pode significar ausência de transparência, silêncio institucional ou sensação de impunidade.
E é justamente aí que a proximidade das eleições torna esse debate ainda mais importante.
O eleitor vai entrar na cabine de votação levando não apenas suas preocupações com emprego, saúde, segurança, educação e economia. Vai levar também a memória de tudo aquilo que acompanhou nos noticiários. Vai levar a indignação com os casos de corrupção. Vai levar a desconfiança diante de instituições que deveriam transmitir segurança. E vai cobrar respostas daqueles que pretendem governar o país.
Uma pesquisa PoderData divulgada em junho mostrou que 47% dos entrevistados percebiam piora da corrupção no Brasil, sinal de que o tema permanece fortemente presente na percepção da sociedade.
Por isso, a eleição de 2026 não será apenas uma escolha entre nomes e partidos. Será também um julgamento político feito pelo cidadão sobre o caminho que o país deseja seguir.
Não cabe transformar investigação em arma eleitoral. Também não cabe proteger aliados, adversários ou autoridades por conveniência política.
Se houve crime, que haja responsabilização.
Se não houve crime, que isso também seja demonstrado.
Se houve omissão, que ela seja esclarecida.
E se houve falha institucional, que as instituições tenham coragem para reconhecer e corrigir.
O Brasil não precisa de mais escândalos transformados em espetáculo. Precisa de investigação séria, transparência, independência e respostas.
Porque a corrupção não tem ideologia quando tira dinheiro do cidadão. A impunidade também não escolhe partido quando destrói a confiança de uma sociedade.
Às vésperas de uma eleição, a maior cobrança do eleitor talvez seja exatamente essa: menos discurso, menos disputa de versões e mais verdade.
O cidadão brasileiro merece saber o que aconteceu.
E merece saber quem será responsabilizado.
