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Maioria do CSMPF decide manter Paulo Gonet à frente de casos ligados ao Banco Master

Também está em discussão uma segunda questão relacionada às relações entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro. Nesse ponto, a votação terminou empatada em 3 a 3

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A maioria dos integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu, nesta sexta-feira, 25, pelo arquivamento do pedido que questionava a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em procedimentos relacionados ao Banco Master. Com isso, Gonet não será afastado dos casos.

O relator do processo, conselheiro Francisco Sanseverino, votou pelo encerramento da apuração, acompanhado por Celso de Albuquerque Silva e Alexandre Camanho de Assis. Na avaliação dos três, não há elementos suficientes para justificar uma investigação contra o procurador-geral.

Janice Ascari e Samantha Chantal Dobrowolski apresentaram posição contrária. As duas defenderam que um subprocurador-geral da República fosse designado para aprofundar a análise sobre a conduta de Gonet.

Também está em discussão uma segunda questão relacionada às relações entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro. Nesse ponto, a votação terminou empatada em 3 a 3.

Relator não vê elementos para investigar Gonet

Em seu voto, Francisco Sanseverino afirmou não ter identificado indícios suficientes de irregularidades na atuação de Gonet. Para ele, eventual impedimento do procurador-geral para atuar nos procedimentos deve ser analisado exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O relator também avaliou as mensagens trocadas entre Gonet e Vorcaro. Segundo Sanseverino, os diálogos não devem ser analisados de maneira isolada, mas considerados dentro do contexto em que ocorreram.

Entre as conversas, estão mensagens trocadas em março de 2025, quando os dois chegaram a conversar por telefone. Em uma delas, Gonet afirmou estar “com saudade” e disse torcer por Vorcaro.

Sanseverino destacou ainda que a comunicação entre os dois teria ocorrido com a intermediação do advogado Ciro Soares. Segundo o relator, o nome “Paulo Gonet” não aparece na lista de contatos encontrada no celular de Vorcaro, o que, em sua avaliação, enfraqueceria a hipótese de uma relação íntima entre os dois.

Para o conselheiro, as mensagens não são suficientes para comprometer a atuação de Gonet nos procedimentos envolvendo o Banco Master.

Relação com Vorcaro é analisada

A relação entre o procurador-geral e o banqueiro também aparece em materiais obtidos durante as investigações da Polícia Federal. Entre eles, há uma fotografia em que Gonet aparece sentado à mesma mesa que Vorcaro, segurando um charuto. Em uma das mensagens, o procurador-geral se referiu ao banqueiro como “máquina”.

A atuação de Gonet no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master, também está entre os pontos analisados.

Em manifestação ao Conselho Superior, Gonet negou ter cometido irregularidades e afirmou que continuará responsável pelos procedimentos relacionados ao caso. O procurador-geral sustentou que não existe elemento capaz de comprometer sua atuação ou justificar uma investigação sobre sua conduta.

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