O senador Cid Gomes (PSB-CE) declarou, em entrevista ao Jornal Alerta Geral, que considera Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a opção mais adequada para comandar o país no próximo mandato, sobretudo pelos reflexos que o resultado da eleição pode ter no Ceará e no Nordeste. Durante a conversa, ele comentou os desafios de quem disputa a reeleição estando no governo, relembrou gestões anteriores do petista e fez críticas ao adversário Flávio Bolsonaro (PL).
Ao abordar a disputa eleitoral, Cid afirmou que candidatos que já ocupam cargos no Executivo enfrentam cobranças diretas da população sobre os resultados da administração. Na avaliação dele, essa situação pode dificultar a conquista de novos apoios durante a campanha.
“É sempre muito mais difícil você, no governo, conseguir atrair mais pessoas para a sua campanha. Porque a expectativa das pessoas é em relação ao governo. Ninguém tem expectativa de que uma pessoa da oposição faça alguma coisa, a não ser a crítica”, observou.
O senador também avaliou que o Brasil ainda precisa avançar para alcançar melhores índices internacionais de qualidade de vida. Ao falar sobre a economia, recordou o período em que Lula encerrou seu segundo mandato e afirmou que o país ocupava uma posição de destaque entre as maiores economias mundiais. Para Cid, mudanças posteriores decorreram de fatores internos e externos.
Cid explica por que apoia Lula
Embora tenha se posicionado contra a polarização política no país, Cid afirmou que, diante da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, não vê outra opção eleitoral para quem considera os interesses do Ceará e do Nordeste.
“Numa situação, numa encruzilhada, em que você só tem dois candidatos, Lula e Bolsonaro, a meu juízo, um cearense, um nordestino, um brasileiro que tenha sensibilidade, solidariedade, fraternidade e empatia não tem, sinceramente, nenhuma alternativa que não seja votar no Lula”, declarou.
Na entrevista, o parlamentar também mencionou a trajetória de Lula, desde a infância humilde em Pernambuco até a participação no movimento sindical, e classificou a história do presidente como uma fonte de inspiração.
Cid ainda fez uma avaliação positiva dos dois primeiros mandatos do petista, período que considera um dos mais expressivos da administração federal. Segundo ele, Lula terminou o segundo governo com elevados índices de aprovação e deixou resultados na vida de parte da população brasileira.
“A história do Lula é uma história muito inspiradora”, afirmou.
“Os dois primeiros governos Lula, para mim, foram o estado da arte. Ele saiu do segundo governo com uma aprovação muito elevada e conseguiu melhorar a vida de muitos brasileiros”, acrescentou.
Educação pública e participação do PT
Outro assunto abordado foi a educação. Cid apontou a ampliação do acesso à escola e das oportunidades de estudo como mudanças ocorridas nas últimas décadas, além de destacar o desempenho do Ceará na área.
Apesar dos avanços citados, o senador reconheceu que ainda há desafios para elevar a qualidade do ensino público.
Ele também comentou o papel do Partido dos Trabalhadores na política brasileira. Embora não seja filiado ao PT, Cid considera a legenda relevante e destacou a existência de divergências e disputas internas entre seus integrantes.
“Eu não sou do partido do Lula, mas foi um partido importante. Eu digo sempre que é um dos partidos mais democráticos do Brasil porque tem disputas internas”, disse.
Senador comenta críticas feitas a Lula no passado
Durante a conversa, Cid Gomes também retomou declarações anteriores em que criticou Lula, especialmente no período em que o petista esteve preso. O senador afirmou que reconhece a possibilidade de cometer erros e defendeu que pedidos de desculpas fazem parte desse reconhecimento.
“Quando a gente erra, a meu juízo, não tem nenhum problema você pedir desculpas e dizer: errei, me desculpe”, declarou.
Ele explicou que seu posicionamento atual considera tanto a avaliação dos governos anteriores de Lula quanto as diferenças entre os projetos políticos que disputam a Presidência.
Cid destaca parcerias do governo federal com o Ceará
Ao tratar da relação entre a União e os governos estaduais e municipais, o senador afirmou que a gestão Lula mantém parcerias com diferentes administrações, independentemente da filiação partidária de governadores e prefeitos.
“O governo Lula tem sido um governo que ajuda demais, faz muitas parcerias e ele é republicano. Não é porque o governador ou o prefeito não seja do partido dele que ele vai discriminar”, afirmou.
Na avaliação de Cid, essa postura diferencia a atual administração federal do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Críticas a Flávio Bolsonaro
A entrevista também foi marcada por críticas de Cid Gomes ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. O parlamentar cearense questionou a trajetória política do adversário e afirmou não considerá-lo preparado para assumir o comando do país.
Entre os pontos mencionados, Cid citou o caso conhecido como “rachadinha”, relacionado ao período em que Flávio Bolsonaro exerceu o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. O senador também criticou posicionamentos e comportamentos do candidato durante debates e entrevistas.
“Quem age assim, me perdoe, não está em condição de ser presidente da República”, declarou.
Cid ainda censurou a forma como Flávio se dirigiu a Lula durante aparições públicas, considerando algumas manifestações grosseiras e desrespeitosas.
“É grosseiro tratar daquela forma um presidente da República, um homem de 80 anos de idade”, afirmou.






