A reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado, em 2027, já envolve negociações que vão além da articulação entre partidos. O senador tem usado a própria estrutura administrativa da Casa como parte das conversas com parlamentares que assumirão seus mandatos no próximo ano, incluindo a distribuição de gabinetes e vagas de estacionamento. As informações são do Túlio Amâncio, do SBT News.
De acordo com aliados, Alcolumbre tem procurado os futuros senadores para discutir a ocupação de espaços considerados mais privilegiados dentro do Congresso. A escolha dos gabinetes e das vagas de garagem aparece entre os benefícios oferecidos durante as tratativas por apoio à sua permanência no comando da instituição.
Outro ponto das conversas envolve a distribuição de recursos do Orçamento de 2027. Alcolumbre negocia com os novos parlamentares a destinação de parte das emendas parlamentares, embora eles ainda não tenham assumido os mandatos e, por isso, não participem diretamente da elaboração da proposta orçamentária.
A articulação também alcança o governo federal. O presidente do Senado pretende ampliar o espaço de seu grupo político na composição do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente em cargos estratégicos da administração pública.
Entre os postos em negociação estão 18 diretorias de agências reguladoras que ainda aguardam indicações do governo. Parte dessas vagas está aberta há meses, em meio a divergências entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto sobre os nomes que deveriam ocupar as funções. O senador chegou a barrar o avanço de indicações contrárias aos seus interesses e agora busca retomar as tratativas em um cenário que considera mais favorável.
Ministérios e empresas estatais também estão no radar. Um dos cargos de interesse é a presidência do Banco do Brasil, instituição sobre a qual Alcolumbre tenta ampliar sua influência há vários anos.
O senador avalia que as negociações relacionadas ao fim da escala 6×1 e à aprovação da PEC da Segurança Pública contribuíram para ampliar seu poder de articulação política. As duas pautas são apontadas como fatores que fortaleceram sua posição nas conversas com Lula e com os partidos do Centrão.
Apesar das movimentações, a eleição para o comando do Senado ainda pode ter outros concorrentes. Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) são nomes que trabalham com a possibilidade de disputar o cargo. Os dois chegaram a discutir a formação de uma candidatura conjunta, mas não conseguiram chegar a um entendimento.
