Quixeramobim deu a Lula (PT) 78,54% dos votos válidos no segundo turno. Foram 39.087 eleitores, a maior votação do presidente na cidade em todas as vezes que ele disputou o Planalto.
Um vídeo da Ninja Insight, empresa de inteligência eleitoral que circula nas redes, tenta explicar o que há por trás desse número. A conclusão interessa a todo político do Sertão Central. Lula é uma marca, e voto de marca não tem dono local.
Cruzando os resultados de 2020, 2022, 2024 e 2026, seção por seção, a empresa encontrou duas cidades dentro de uma.
Na primeira, o mapa do voto em Lula se repete quase igual de 2022 para cá, não importa quem peça o voto. Na segunda, quem manda é o grupo do prefeito Cirilo Pimenta (PSB), reeleito em 2024 com 62,68%.
O exemplo usado foi o do Liceu Alfredo Almeida Machado, no Centro. Ali, Flávio Bolsonaro (PL) teve 38,9% no primeiro turno, contra 22,4% na cidade. Ciro Gomes (PSDB) fez 54% para governador, e Lula ficou 17,5 pontos abaixo da média.
É justamente nessas urnas que o grupo Pimenta cresce.
Nos números oficiais da cidade inteira, a tese se confirma. Manu Pimenta (PSB) teve 27.302 votos em Quixeramobim, 56,75% dos válidos e quase 40% dos 69 mil votos que a levaram à Assembleia. Domingos Neto (PSD), seu parceiro de dobradinha, foi o deputado federal mais votado na cidade, com 13.698 votos. Quase dobrou o resultado de 2022, mas ficou em cerca de metade da votação da aliada. Elmano de Freitas (PT) venceu com folga na cidade, 64,82% contra 34,84% de Ciro. Mesmo assim, ficou abaixo dos 73,45% de Lula no primeiro turno.
O desafio para o campo governista é fazer a força do presidente e a das lideranças locais virarem uma soma, e não duas votações paralelas.
Esse recado das urnas vai além de Quixeramobim. Em 2028, quem achar que herda automaticamente a votação de Lula em Quixadá, Banabuiú ou Senador Pompeu pode se decepcionar. No interior, o voto para presidente acompanha a marca. O voto para prefeito e deputado ainda se decide em casa, no nome de família e no trabalho feito na rua.






