O banqueiro Daniel Vorcaro apresentou uma nova versão de sua proposta de delação premiada e alterou a justificativa para pagamentos feitos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Se anteriormente afirmava que os benefícios concedidos ao parlamentar decorriam apenas de uma relação de amizade, agora passou a descrevê-los como supostas vantagens oferecidas para obter apoio político a interesses ligados ao Banco Master.
Segundo informações de pessoas envolvidas nas negociações, a mudança ocorreu durante a elaboração da segunda proposta de colaboração, conduzida pelo advogado Sérgio Leonardo. Na primeira tentativa, preparada pela defesa anterior, Vorcaro sustentava que despesas como viagens e eventos não tinham qualquer contrapartida, mas eram motivadas pelo vínculo pessoal com o senador.
A nova versão foi apresentada após o avanço das investigações da Operação Compliance Zero, que levantou suspeitas sobre repasses mensais destinados a uma empresa vinculada a Ciro Nogueira. A Polícia Federal apura se esses pagamentos, estimados em cerca de R$ 300 mil por mês e que poderiam ter alcançado R$ 500 mil, teriam relação com interesses do Banco Master em discussões no Congresso Nacional.
Além de modificar sua narrativa sobre o senador, Vorcaro também acrescentou informações sobre supostas irregularidades envolvendo a captação de recursos de regimes próprios de previdência municipais e estaduais pelo banco. Apesar disso, investigadores avaliam que os novos relatos pouco acrescentam ao conjunto de provas já reunidas, especialmente após a análise do conteúdo extraído do celular do banqueiro.
A proposta segue sob avaliação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Nos bastidores, porém, a expectativa é de que o acordo seja rejeitado por não trazer elementos considerados suficientemente novos para as investigações.
Caso isso ocorra, Daniel Vorcaro poderá deixar a cela especial onde permanece na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e ser transferido novamente para um presídio comum. Ele está no local desde março enquanto negocia um possível acordo de colaboração.
Ciro Nogueira, por sua vez, já negou qualquer irregularidade relacionada aos pagamentos investigados e afirmou que não apresentou propostas legislativas para favorecer o Banco Master. O senador também rejeita a existência de contrapartidas indevidas em sua relação com Vorcaro.
As investigações ainda apontam que o banqueiro mantinha proximidade com Ciro Nogueira, participando de eventos e encontros pessoais com o parlamentar. Um dos episódios analisados ocorreu poucos dias antes da apresentação da chamada “Emenda Master”, proposta que buscava ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A medida acabou não sendo incorporada ao texto final analisado pelo Congresso.




