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PF identifica novos operadores em investigação que envolve Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro

As investigações indicam ainda que David trabalha em sintonia com seu irmão, Daniel Lopes Monteiro, advogado considerado próximo do ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro

Foto: Cristiano Mariz/O Globo | Ana Paula Paiva/Valor

A nona etapa da Operação Compliance Zero, que teve como um dos alvos o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, trouxe à tona novos integrantes do suposto núcleo financeiro e jurídico relacionado ao Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, dois desses personagens teriam participado de negociações envolvendo um apartamento que o parlamentar teria recebido do banqueiro Augusto Lima, além de operações ligadas a repasses para uma empresa pertencente ao grupo familiar do senador. As informações são do jornal O Globo.

Os investigados citados são Valério Marega Júnior e David Lopes Monteiro. Segundo a PF, Valério estaria ligado à administração de fundos e empresas utilizadas em operações associadas ao Banco Master. Já David é apontado como integrante de um grupo empresarial e jurídico-financeiro que atuaria em conexão com a instituição.

As investigações indicam ainda que David trabalha em sintonia com seu irmão, Daniel Lopes Monteiro, advogado considerado próximo do ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro.

No relatório da Polícia Federal, Valério aparece como responsável por coordenar a aquisição do imóvel Poème Horto, escolhido por Jaques Wagner. Os investigadores sustentam que a compra teria sido estruturada de forma a ocultar o verdadeiro beneficiário do bem, utilizando mecanismos financeiros que dificultariam a identificação da titularidade real.

A apuração aponta que, após Wagner informar a Augusto Lima detalhes sobre a unidade e o valor do apartamento, o banqueiro repassou as informações a Valério, incluindo dados do corretor, do empreendimento e do imóvel. Nos registros analisados pela PF, o contato do operador aparecia salvo no celular de Augusto como “Valério Fundos”.

David também é citado nas tratativas relacionadas ao imóvel. Conforme a representação que embasou a nova fase da operação, Augusto Lima teria encaminhado o contato dele ao senador depois que Wagner solicitou informações sobre o proprietário formal do apartamento. O nome de David surge ainda em conversas envolvendo cobranças de documentos e de pagamentos feitas pelo enteado do parlamentar.

Por considerar que o investigado poderia interferir em provas, testemunhas ou estruturas empresariais ligadas às negociações financeiras e imobiliárias, a Polícia Federal incluiu David entre os alvos das medidas cumpridas nesta quinta-feira.

O operador é irmão de Daniel Lopes Monteiro, preso em abril. Conforme a PF, o advogado também participou de procedimentos relacionados ao apartamento Poème Horto após a aquisição do imóvel. Os investigadores afirmam que ele atuou na reorganização jurídica da propriedade, elaborando minutas contratuais e instrumentos de cessão de direitos aquisitivos.

As apurações apontam que, desde a prisão de Daniel Monteiro, os investigadores buscavam avançar sobre outros supostos operadores ligados ao antigo comando do Banco Master. Considerado peça-chave nas investigações, o advogado é apontado como participante tanto do esquema que teria envolvido pagamentos indevidos ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa, quanto de outras estruturas financeiras atribuídas ao ex-dono da instituição.

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