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A propaganda avança mais rápido que a Justiça e quem paga o pato é o debate público

Enquanto isso, o debate sobre segurança pública, que devia estar no centro da eleição, segue refém de montagem e jingle

Foto: Comunicação/MPF

Tem um padrão se repetindo nesta campanha cearense. Primeiro a peça viraliza, depois vem a decisão judicial (quando vem) e, nesse intervalo, o estrago já está feito.

O caso mais recente é da campanha de André Fernandes (PL), que colocou no ar uma propaganda oficial em que ele e aliados dançam e cantam a múica infantil “cabeça, ombro, joelho e pé” e, na sequência, entram imagens de reportagens sobre partes de corpos humanos encontradas em praias de Fortaleza.

Não é a primeira vez que o deputado usa esse tema para atacar a segurança pública. Em agosto, ele mesmo acompanhou a descoberta de uma perna humana na Praia do Pacheco, em Caucaia, e aproveitou a cena para criticar Elmano de Freitas (PT) ao vivo.

Até então, a Justiça Eleitoral não se manifestou sobre essa propaganda, pois ela começou a circular há pouco tempo.

Ciro Gomes (PSDB) também já testou os limites do discurso do medo. Em junho, o TRE-CE suspendeu duas propagandas partidárias estreladas por ele: “O Ceará quer paz” e “O governo omisso é governo cúmplice”. Elas abriam falando em medo (“Todo dia começa e termina assim: com medo”) e foram lidas pelo desembargador Wilker Macedo Lima como promoção pessoal antecipada, com multa de R$ 20 mil por inserção.

A decisão caiu dias depois, mas por uma questão processual, sem entrar no mérito do conteúdo.

Do lado de Elmano, a Justiça também não deixou passar. Uma propaganda gravada em instalações da segurança pública estadual foi suspensa no fim de agosto, e uma peça, que comparava Ciro a Jair Bolsonaro (PL), rendeu a Ciro direito de resposta de um minuto na TV, com multa de até R$ 15.961,50 em caso de descumprimento.

O problema não é a Justiça Eleitoral estar omissa. Ela tem agido de todos os lados. A questão é que ela só entra depois que a peça já rodou WhatsApp, TikTok e grupo de família. O eleitor recebe esse tipo de conteúdo antes de qualquer contexto e forma opinião com o que vê primeiro, muitas vezes, sem acompanhar o direito de resposta que um ou outro teve.

Enquanto isso, o debate sobre segurança pública, que devia estar no centro da eleição, segue refém de montagem e jingle.

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