O pesquisador Wilton Marques descobriu em 2015, e acaba de lançar oito crônicas inéditas do escritor cearense José de Alencar. Os títulos são: Ao Correr da Pena (Folhetins Inéditos), que tem o mesmo nome do folhetim escrito semanalmente por Alencar, entre os anos de 1854 e 1855, no jornal carioca Correio Mercantil. O lançamento é da editora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
De acordo com Wilton, em 1874, algumas crônicas de Alencar foram publicadas por José Maria Vaz Pinto Coelho, um admirador do escritor. No entanto, oito textos ficaram de fora: “Desde então, toda vez que as crônicas foram publicadas, seguiram o livro, e não o jornal”. Por essa razão, os textos publicados por Wilton são considerados inéditos. A obra ainda conta com a interpretação das crônicas, o que o autor resolveu chamar de Enigma dos Folhetins.
Em um dos textos, Alencar faz críticas ao mundo político, ao comparar o Rio de Janeiro antigo e moderno, e fala sobre “uma tal revolução tecnológica” que teria dado origem a uma “máquina-deputado” e segue uma descrição irônica: “Esta máquina serve para votar, levantando-se e sentando-se para dar apartes, fazer cauda aos ministros nas ocasiões necessárias, preencher o número de deputados que as constituições exigem, e finalmente para resistir aos deputados-homens, gente de consciência, que tem a balda de só apoiar os governos ilustrados. Bem se vê, que para semelhante fim era escusado nesses países empregar-se um homem livre e inteligente, e que basta uma máquina, a qual não possa opor tropeços à marcha da administração”.
Marques ainda lembra que, em 1874, quando o livro organizado por Pinto Coelho seria lançado, José de Alencar já tinha sido ministro e era deputado. “Imagino que ele falou: ‘Não vou publicar isso, porque isso vai me causar um grande problema’. Ele fala que os ministros corrompem os deputados”, explica o pesquisador.
Repórter Ceará




