O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) negou hoje, 05, que tenha pedido a cabeça do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro e, ao rebater uma reportagem da Folha de S.Paulo, fez ataques à imprensa que o aguardava na saída do Palácio da Alvorada. Sem responder perguntas, o mandatário elevou o tom, inflamou seus apoiadores contra os jornalistas e chegou a gritar que os profissionais deveriam “calar a boca”.
“Cala a boca, não perguntei nada. Cala a boca, cala a boca. Não tenho nada contra o superintendente do Rio e não interfiro na PF”, declarou Jair Bolsonaro
A ira decorre, segundo Bolsonaro, de uma reportagem da Folha publicada ontem, 04. No texto, a coluna “Painel”, da jornalista Camila Mattoso, observa que a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro é um foco de interesse da família Bolsonaro.
O comando da regional já havia sido motivo de impasse entre o presidente e o ex-ministro Sergio Moro, que se demitiu da chefia do Ministério da Justiça e Segurança Pública e acusou Bolsonaro de impor mudanças na estrutura hierárquica da PF por desejo pessoal —um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) foi instaurado para apurar se houve irregularidade.
“O atual superintendente do Rio de Janeiro que o Moro disse que eu quero trocar por questões familiares, não tem nenhum parente meu investigado pela Polícia Federal, nem eu, nem meus filhos, zero. Uma mentira que a imprensa replica o tempo todo dizendo que meus filhos querem trocar o superintendente.”
As ofensas dirigidas por Bolsonaro à imprensa na manhã de hoje ocorrem em meio a uma crise institucional com o STF e dois dias depois que um fotógrafo do jornal “Estado de S.Paulo” foi agredido com socos, chutes e tapas por simpatizantes do presidente durante uma manifestação pró-governo, em Brasília.
Repórter Ceará com UOL






