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Diretor do Butatan diz que ações de Bolsonaro impediram entrega de 100 milhões de vacinas até maio

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse, em depoimento à CPI da Pandemia nessa quinta-feira, 27, que as falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) resultaram na paralisação por três meses do processo de compra da vacina Coronavac. Segundo ele, seria possível ter entregue 100 milhões de doses até maio deste ano do imunizante desenvolvido em parceria com o laboratório chinês Sinovac, se não houvesse interrupção nas negociações.

Dimas também afirmou que as manifestações contra a China feitas por Bolsonaro, seus familiares e outros integrantes do governo, acarretam dificuldades para obter insumos para as vacinas.

A primeira proposta de venda de vacinas feita pelo Butantan ao Ministério da Saúde aconteceu em julho de 2020. No mesmo período, houve um pedido de recursos para a construção de uma fábrica de vacinas e para a realização de testes clínicos para o imunizante. Nenhuma das solicitações foi aprovada.

“Todas essas negociações que ocorriam com troca de equipes técnicas, com troca de documentos, a partir desse momento elas foram suspensas. Quer dizer, houve, no dia 19 [de outubro], um dia antes da reunião com o ministro, um documento do ministério que era um compromisso de incorporação, mas, após, esse compromisso ficou em suspenso e, de fato, só foi concretizado em 7 de janeiro”, afirmou.

Repórter Ceará (Foto: Pablo Jacob)

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