O volume de água armazenado nos açudes do Ceará apresentou queda em 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. Dados do Portal Hidrológico do Ceará, da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), mostram que o estado perdeu quase 1 bilhão de metros cúbicos de água em seus reservatórios.
Em 9 de março de 2025, os açudes cearenses acumulavam 8,648 bilhões de m³, o equivalente a 47,09% da capacidade total. Já em 9 de março deste ano, o volume armazenado caiu para 7,651 bilhões de m³, o que representa 41,67% da capacidade. A diferença é de aproximadamente 996,6 milhões de m³ de água a menos nos reservatórios do estado.
O levantamento considera todos os 144 açudes monitorados em todo o território cearense.
A redução no volume armazenado é comum de um ano para outro em razão do período de estiagem que o Ceará enfrenta durante boa parte do ano, já que as chuvas se concentram entre fevereiro e maio. Porém, a principal diferença entre 2025 e 2026 está nas chuvas da pré-estação, referentes aos meses de dezembro e janeiro.
Enquanto dezembro de 2024 e janeiro de 2025 registraram chuvas acima da média histórica, dezembro de 2025 e janeiro de 2026 ficaram abaixo da média, de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Confira:
Pré-estação chuvosa no Ceará
- Dez/2024 – Jan/2025: choveu 217,3 milímetros, volume 59,6% acima do esperado;
- Dez/2025 – Jan/2026: choveu 85,8 mm, 37% abaixo do esperado.
As chuvas de janeiro de 2025 se somaram às de fevereiro do mesmo ano, que registrou precipitações dentro da média, com 124,7 mm (2,8% acima da média histórica). Em 2026, as chuvas de fevereiro ficaram acima da normalidade (169,6 mm, 39,8% acima da média), mas não foram acompanhadas por janeiro, que ficou abaixo do normal.
Situação das bacias hidrográficas
A comparação entre 2025 e 2026 mostra que várias bacias registraram redução no percentual de água armazenada, embora algumas tenham apresentado crescimento.
A bacia do Acaraú caiu de 80,45% em 2025 para 68,44% em 2026. Já o Alto Jaguaribe apresentou aumento, passando de 64,95% para 78,71%. A bacia abriga o açude Orós, segundo maior reservatório do estado, que sangrou em 2025.
No Baixo Jaguaribe, houve redução, com o volume passando de 64,91% para 34,01%. Situação semelhante foi observada na bacia do Banabuiú, que caiu de 35,98% para 27,04%. A região abriga o terceiro maior reservatório do Ceará, o Arrojado Lisboa, popularmente conhecido como açude Banabuiú.
A bacia do Coreaú registrou diminuição de 89,85% para 74,17%, enquanto o Curu recuou de 62,21% para 53,45%.
No Litoral, o percentual caiu de 89,52% para 66,71%. Já a bacia Metropolitana passou de 68,53% para 48,19%.
No Médio Jaguaribe, onde fica o açude Castanhão, o maior do Ceará, o índice reduziu de 28,57% para 22,53%, mantendo-se entre os níveis mais baixos.
Por outro lado, a bacia do Salgado apresentou leve melhora, subindo de 55,88% para 57,12%. A Serra da Ibiapaba manteve praticamente estabilidade, passando de 64,57% para 64,69%.
Já nos Sertões de Crateús, houve pequena elevação, com o volume saindo de 17,04% para 18,45%, embora ainda permaneça em situação crítica.
Além da queda no volume total armazenado, o comparativo também mostra que enquanto em 2026 o Ceará conta com 10 açudes sangrando, no mesmo período de 2025 já havia 24 reservatórios vertendo água. Além disso, atualmente há cinco açudes com mais de 90% da capacidade, mas que ainda não atingiram a cota de sangria. Em 2025, esse número era de 14.
Outro ponto é o aumento no número de reservatórios com baixos volumes: 36 açudes estão com menos de 30% da capacidade em 2026, 11 a mais que no mesmo período de 2025.




