Há temas que, pela importância, merecem uma reflexão mais profunda. Hoje, escolhi falar sobre comunicação. Não a comunicação como ferramenta de marketing, mas como instrumento de relacionamento, diálogo e construção de confiança.
Depois de 38 anos convivendo com a comunicação, acompanhando governos, empresas, instituições e lideranças dos mais diferentes perfis, aprendi uma lição que o tempo nunca desmentiu: ninguém constrói uma boa imagem isolando pessoas.
Vivemos uma época em que a informação circula em velocidade impressionante. A presença dos veículos de comunicação, das plataformas digitais, das agências e das redes sociais faz com que qualquer mensagem percorra grandes distâncias em poucos minutos. Nesse cenário, comunicar deixou de ser apenas divulgar ações. Comunicar é saber ouvir, dialogar, construir pontes e manter relações de respeito.
Tenho observado, com certa preocupação, um fenômeno que se repete em muitos órgãos públicos e também em empresas: o distanciamento entre gestores, assessorias de comunicação, jornalistas e veículos de imprensa. Em muitos casos, cria-se um ambiente de isolamento que produz desgaste desnecessário, alimenta ruídos e enfraquece relações construídas ao longo de muitos anos.
Nem sempre esse isolamento nasce da vontade do gestor. Muitas vezes, ele é consequência de orientações equivocadas ou de uma visão limitada sobre o verdadeiro papel da comunicação. Quando isso acontece, quem perde não é apenas a imprensa. Perde a instituição, perde a credibilidade e perde, sobretudo, a sociedade, que deixa de receber informações de forma ampla, transparente e plural.
É importante lembrar que cargos são temporários. Mandatos terminam, funções mudam, empresas passam por transformações. O que permanece são as relações construídas com respeito, ética e profissionalismo.
Uma comunicação eficiente não escolhe o isolamento. Ela aproxima, acolhe diferentes opiniões, valoriza o diálogo e entende que críticas também fazem parte do processo democrático e do amadurecimento institucional.
A boa assessoria de comunicação não é aquela que cria barreiras. É aquela que abre portas, fortalece relacionamentos, promove transparência e ajuda a construir pontes entre as instituições e a sociedade.
Talvez seja o momento de todos nós, gestores públicos, empresários, assessores e profissionais da comunicação, fazermos uma reflexão. Mais do que administrar informações, precisamos administrar relacionamentos.
No fim das contas, tudo passa. Permanecem apenas a reputação que construímos e a forma como tratamos as pessoas ao longo do caminho.





