Home Segurança Ceará registra, em 2025, maior número de mortes no trânsito desde 2017

Ceará registra, em 2025, maior número de mortes no trânsito desde 2017

Foram 1.936 vidas perdidas em acidentes ocorridos nas rodovias e vias urbanas do Estado, o maior volume desde 2017, quando houve 2.017 óbitos

Foto: Andrea Figueiredo Fernandes

O Ceará registrou, em 2025, o maior número de mortes no trânsito dos últimos oito anos, segundo informações do Ministério da Saúde. Foram 1.936 vidas perdidas em acidentes ocorridos nas rodovias e vias urbanas do Estado, o maior volume desde 2017, quando houve 2.017 óbitos. As informações são do Diário do Nordeste.

Os dados mais recentes também acendem um alerta. Levantamento parcial da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) aponta que 350 pessoas morreram em ocorrências de trânsito entre janeiro e abril deste ano.

Entre os episódios mais marcantes de 2026 está o acidente registrado no último sábado, 4, na CE-456, em Canindé, que resultou na morte de três romeiros após o tombamento de um ônibus. Semanas antes, outro desastre envolvendo transporte coletivo deixou sete jovens atletas de uma equipe de basquete de Juazeiro do Norte mortos na CE-187, em Tauá, enquanto retornavam de uma competição em Sobral. O caso foi considerado o mais grave envolvendo passageiros de ônibus no Ceará em mais de uma década.

Os números refletem uma realidade preocupante. Entre 2017 e 2025, o Estado acumulou 16.808 mortes relacionadas ao trânsito, evidenciando a persistência de um problema que especialistas classificam como evitável.

Para a professora e especialista em Engenharia de Transportes da Universidade de Fortaleza, Camila Bandeira, o aumento das fatalidades está ligado a uma combinação de fatores que envolvem comportamento dos condutores, infraestrutura e continuidade das políticas públicas.

Segundo ela, a redução do foco em campanhas educativas e ações permanentes de segurança transmite à população a percepção de que o tema perdeu prioridade, favorecendo práticas arriscadas como excesso de velocidade e desrespeito à sinalização.

A especialista ressalta que mortes no trânsito não devem ser tratadas apenas como estatísticas, mas como perdas humanas que poderiam ser evitadas por meio de fiscalização eficiente, infraestrutura adequada e respeito às normas de circulação.

Outro aspecto apontado por especialistas é o crescimento da frota de veículos. Para o presidente da Comissão de Trânsito, Tráfego e Mobilidade Urbana da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Ceará, Daniel Siebra, o aumento do número de automóveis e, principalmente, de motocicletas nas ruas contribui para elevar o risco de acidentes.

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito mostram que a quantidade de veículos em circulação no Ceará cresceu 135% desde 2017. Apesar disso, o avanço das mortes foi proporcionalmente menor, indicando que a letalidade não acompanhou o mesmo ritmo de expansão da frota.

A fiscalização insuficiente e a condução sob efeito de álcool também aparecem entre os fatores que influenciam o cenário. Mesmo com legislação rigorosa, especialistas defendem que a aplicação das normas precisa ser constante para produzir resultados efetivos.

Os motociclistas continuam sendo as principais vítimas do trânsito cearense. Entre 2017 e 2024, eles responderam por cerca de 40% das mortes registradas. A expansão dos serviços de entrega por aplicativos e as condições de trabalho enfrentadas por muitos profissionais da categoria são apontadas como elementos que contribuem para a exposição ao risco.

Os pedestres aparecem em seguida, representando 12% das vítimas fatais. A vulnerabilidade desse grupo reforça a necessidade de investimentos em calçadas acessíveis, travessias seguras, sinalização adequada e medidas que reduzam a velocidade dos veículos em áreas urbanas.

Já os ocupantes de automóveis correspondem a aproximadamente 7% dos óbitos registrados no período.

Especialistas defendem que a reversão desse quadro passa pelo fortalecimento do transporte coletivo, ampliação da infraestrutura cicloviária e melhorias nas condições de mobilidade urbana, reduzindo a dependência do transporte individual.

As mortes também se concentram nos municípios mais populosos do Estado. Conforme os dados do Ministério da Saúde, quatro das cinco maiores cidades cearenses respondem por cerca de 20% das fatalidades registradas entre 2017 e 2025, resultado associado à elevada densidade populacional e ao intenso fluxo de veículos.

Embora o número total de mortes tenha aumentado em 2025, as rodovias federais apresentaram comportamento diferente. Dados da Polícia Rodoviária Federal indicam redução de 7,6% nas mortes e de aproximadamente 13,3% nos acidentes registrados nas BRs que cortam o Ceará em comparação com 2024.

Mesmo assim, a corporação considera os índices preocupantes e defende a manutenção de ações integradas de fiscalização, educação para o trânsito e prevenção. Para a PRF, a queda nos registros não é motivo para comemoração enquanto acidentes continuarem resultando em múltiplas vítimas fatais, reforçando que o objetivo deve ser a redução contínua das mortes nas estradas e cidades cearenses.

Deixe seu comentário:

Please enter your comment!
Please enter your name here