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Após quase 30 anos, filho consegue levar a júri acusado de matar a mãe em Milhã

Bruno Fernandes tinha apenas 2 anos quando Ivaneide Barbosa Fernandes Silva foi assassinada. Hoje, aos 30, atua como assistente de acusação e acompanha o processo que levará o réu ao Tribunal do Júri

Foto: Reprodução/Redes sociais

Quase 30 anos após o assassinato de Ivaneide Barbosa Fernandes Silva, o acusado pelo crime será submetido a júri popular. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), que negou um Recurso em Sentido Estrito da defesa e confirmou a pronúncia do réu.

A decisão representa um marco para Bruno Fernandes, filho da vítima, que tinha apenas 2 anos quando a mãe foi morta, em 9 de julho de 1998, em Milhã, no Sertão Central. Hoje, aos 30 anos, ele atua como Ouvidor-Geral Adjunto do município e foi habilitado pela Justiça como assistente de acusação no processo.

Em publicação nas redes sociais, Bruno relembrou a trajetória percorrida desde o crime até a confirmação do júri: “Vinte e oito anos separando o dia 09 de julho de 1998 do dia 30 de junho de 2026. Entre um, eu tinha 2 anos e perdi minha mãe, a primeira mulher vítima de homicídio na história de Milhã. No outro, tenho 30 e meu nome foi deferido às fls. 493 pela Desembargadora Lígia Andrade: como Assistente de Acusação.”

Segundo Bruno, o processo permaneceu suspenso até 2018, o que também interrompeu o prazo prescricional. A ação voltou a tramitar posteriormente e, em 2023, o acusado foi localizado e preso em Costa Marques, em Rondônia. Ele permaneceu cerca de cinco meses detido e atualmente responde ao processo em liberdade, aguardando o julgamento.

Bruno acredita que o assassinato da mãe foi o primeiro caso de homicídio contra uma mulher registrado em Milhã desde a emancipação do município, em 1985. Embora não haja registros históricos oficiais, moradores e amigos da família lembram do crime.

Na publicação, ele também destacou que o tempo não apagou a busca por justiça.

“Disseram que o tempo enterra. Que processo morre. Que prescreve.
O tempo não enterrou. O tempo guardou. Guardou 4 órfãos, guardou
uma confissão, guardou um réu foragido por 25 anos. E guardou uma cidade
inteira que viu sua primeira filha ser levada pela violência.”
Bruno Fernandes

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), Ivaneide Barbosa Fernandes Silva tinha 24 anos quando foi morta. O órgão sustenta que o crime ocorreu “sem nenhuma discussão e motivo aparente, de forma covarde, sorrateira, a traição”.

Conforme a denúncia, por volta das 21h30 de 9 de julho de 1998, o acusado deixou um bar onde estava com colegas, adquiriu uma faca peixeira de oito polegadas em um estabelecimento comercial e, ao passar em frente ao bar onde Ivaneide trabalhava, desferiu dois golpes fatais contra a vítima, sem que ela pudesse reagir.

Ainda segundo os autos, o acusado confessou o homicídio. A denúncia aponta que os depoimentos do comerciante que vendeu a faca e da ex-companheira do réu reforçam os indícios de autoria, fundamentos que embasaram a decisão da 1ª Vara da Comarca de Solonópole de levá-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Ao comentar a decisão do TJCE, Bruno afirmou que a confirmação do júri representa um avanço na busca por responsabilização: “Hoje não foi dia de vitória. Vitória é palavra grande demais pra quem esperou quase três décadas. Hoje foi dia de resposta.”

Ele também agradeceu à advogada Vitória Ângelos, responsável pela sustentação oral durante o julgamento do recurso, e afirmou que o próximo passo será o julgamento em Solonópole.

“A justiça atrasa, mas não falha quando um filho se recusa a desistir. O tempo não absolve. O tempo cobra. E hoje, a primeira parcela foi paga: o júri está confirmado.”

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