O ex-vereador de São Paulo Milton Leite se apresentou à Polícia Civil na tarde desta sexta-feira, 18, em Mogi das Cruzes, após ser procurado desde a deflagração da Operação Vectura Corrupta. A investigação apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, Leite chegou à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) por volta das 15h30. Ele era alvo de um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça e estava sendo procurado desde quinta-feira, 17, quando a operação foi realizada.
Antes da apresentação do ex-vereador, agentes da Polícia Civil e integrantes do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) estiveram em um imóvel ligado a ele, em Sorocaba. No local, foi localizada uma estrutura descrita pelas autoridades como uma “passagem secreta”, conectando dois imóveis. Um deles seria de Leite e o outro, de um assessor.
Durante a ação, também foram encontrados aproximadamente R$ 280 mil e US$ 89 mil em dinheiro vivo, guardados dentro de uma mala. Até o momento, não foi divulgada a origem dos valores.
O delegado Fabrício Intelizano, da Dise de Mogi das Cruzes, afirmou que a possibilidade de um eventual vazamento da operação será investigada. Segundo ele, porém, ainda não há confirmação de que informações sobre a ação tenham sido antecipadas aos investigados.
Dos 16 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça, 11 haviam sido cumpridos até a tarde desta sexta-feira. Entre os cinco procurados ainda não localizados está Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente do Água Santa.
Investigação
A Vectura Corrupta é uma continuidade das apurações iniciadas na Operação Dercúrio, realizada em agosto de 2024. Na ocasião, as autoridades investigaram uma estrutura utilizada pelo PCC para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas e manter comunicação entre integrantes da organização.
De acordo com a decisão judicial que autorizou a prisão de Milton Leite, o ex-vereador é mencionado nas investigações como responsável pela administração de empresas que, segundo os investigadores, estariam sob controle da facção. O documento também cita depoimentos de policiais militares que apontariam Leite como proprietário de fato da empresa de ônibus Transwolff.
A companhia foi investigada na Operação Fim da Linha, deflagrada pelo MP-SP em 2024, por suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao PCC. O contrato da empresa com a Prefeitura de São Paulo acabou sendo cancelado.
A defesa da Transwolff nega qualquer vínculo com a organização criminosa e afirma que Milton Leite nunca integrou o quadro societário da empresa, não participou de sua administração nem determinou ações a funcionários.
Leite permaneceu por 28 anos na Câmara Municipal de São Paulo, onde exerceu sete mandatos consecutivos e presidiu a Casa por seis anos. Ele deixou o Legislativo ao final de 2024.
