O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) decidiu, nesta sexta-feira, 25, não abrir investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em razão da relação mantida com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O caso foi relatado pelo conselheiro Francisco Sanseverino, que afirmou não ter encontrado elementos suficientes que justificassem a apuração da conduta de Gonet. Em seu voto, ele também defendeu que o procurador-geral permaneça responsável pelos procedimentos relacionados ao Banco Master.
Segundo Sanseverino, uma eventual discussão sobre o impedimento de Gonet para atuar no caso cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF). O relator também afirmou que as mensagens trocadas entre o procurador-geral e Vorcaro precisam ser analisadas dentro do contexto em que ocorreram.
Entre os diálogos que vieram à tona estão conversas mantidas pelos dois em março de 2025. Em uma delas, Gonet afirmou estar “com saudade” e disse torcer pelo banqueiro. Em outra mensagem, chegou a se referir a Vorcaro como “máquina”.
O relator afirmou que o contato entre os dois teria ocorrido com a intermediação do advogado Ciro Soares. Sanseverino também mencionou que o nome de Paulo Gonet não aparecia na lista de contatos de Vorcaro. Para ele, esses elementos devem ser considerados na análise da relação entre os dois.
A investigação também envolve uma fotografia na qual Gonet aparece sentado à mesma mesa que Vorcaro, enquanto fuma um charuto. A proximidade entre os dois passou a ser analisada no contexto da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Gonet nega ter cometido irregularidades e informou ao Conselho Superior do MPF que pretende continuar à frente dos procedimentos ligados ao caso. Segundo o procurador-geral, não há elementos que comprometam sua atuação ou justifiquem uma investigação sobre sua conduta.






