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A virada inédita de Lula e o que ela cobra do PT daqui pra frente

É bom lembrar que esse será o último mandato de Lula, e não vai ser fácil. No discurso da vitória, ele prometeu regular as big techs e aprovar a PEC da Segurança. Também reconheceu o avanço da oposição e disse que vai manter o diálogo com o Congresso

Foto: Ricardo Stuckert

A eleição de domingo, 25, entrou para a história. Foi a primeira vez que um candidato a presidente saiu atrás no primeiro turno e venceu no segundo. Lula fechou com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL).

A força da mobilização fez a abstenção cair de 21,08% para cerca de 19,2%. Lula somou mais de 10,3 milhões de votos entre um turno e outro, e Flávio, 3,7 milhões.

O Ceará se destacou. Lula teve 68,93% dos válidos no estado e ganhou 480 mil votos de um turno para o outro. O estado também registrou a menor abstenção do país no segundo turno, 13,89%. Esse resultado tem influência de alguns nomes. Camilo Santana (PT) integrou a coordenação nacional da campanha. Elmano de Freitas (PT) já tinha sido reeleito no primeiro turno, com 53,19%, contra 46,22% de Ciro Gomes (PSDB). Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (PT) ficaram com as duas vagas do Senado.

É bom lembrar que esse será o último mandato de Lula, e não vai ser fácil. No discurso da vitória, ele prometeu regular as big techs e aprovar a PEC da Segurança. Também reconheceu o avanço da oposição e disse que vai manter o diálogo com o Congresso. O PL terá 121 deputados e a projeção é de 28 senadores, contra 70 deputados do PT, mas há um sinal de que dá para avançar.

Às vésperas do segundo turno, o Congresso promulgou o fim da escala 6×1, aprovado no Senado por 75 votos a 1, com redução gradual da jornada a partir de dezembro. Pauta popular, bem defendida, passa até em Casa adversa. A dificuldade é o caixa. Na reta final, Lula ampliou compromissos com estudantes, microempreendedores, famílias endividadas e o preço dos combustíveis, e pagar essa conta será o primeiro teste de 2027.

No primeiro turno dessas eleições, Lula teve cerca de 3,3 milhões de votos a menos do que no primeiro turno de 2022. E foi justamente no Nordeste que a direita mais cresceu, de 27% para 30,9% dos votos válidos.

O presidente do partido, Edinho Silva, costuma dizer que o substituto de Lula não será uma pessoa, e sim o partido. Para isso, o PT precisa voltar aos bairros e aos municípios, formar quadros novos e atualizar a forma de falar com e para o povo, como aconteceu com o canal do Exército do Lula, comandado por Janones (Rede). A comunicação do quarto governo vai precisar disputar o celular, com vídeo curto e resposta rápida, sem abandonar o rádio e a TV, que ainda são a principal janela de informação de boa parte do interior.

No Ceará, o grupo sai fortalecido, e o jogo de 2030 já começou. Elmano não pode disputar de novo, e a sucessão fica aberta. Camilo ganha peso nacional como porta-voz da campanha de Lula no segundo turno e, em Brasília, já circula como cotado para a Casa Civil. Perguntado sobre 2030, preferiu falar apenas da reeleição. Do outro lado, Ciro somou sua quinta derrota em eleição majoritária e sai da eleição menor do que entrou.

Em Fortaleza, o sinal é misto para Evandro Leitão (PT). Lula subiu para 60,07% na capital, mas Flávio também cresceu e chegou perto de 40%, praticamente o mesmo eleitorado que quase elegeu André Fernandes (PL) em 2024.

A diferença, mais uma vez, veio do interior. Elmano venceu em 151 dos 184 municípios, e é nessas cidades que o próximo teste acontece, já em 2028. Prefeitos aliados vão precisar mostrar que a proximidade entre Fortaleza e Brasília vai virar obra, serviço e atendimento, destravando demandas antigas da região sem esperar até a próxima campanha.

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