O encerramento das plataformas de apostas esportivas pode favorecer o comércio eletrônico cearense, com a transferência de recursos antes utilizados nas bets para o consumo de produtos. A perspectiva foi apresentada pelo conselheiro do E-Commerce Brasil (ECBR), Ângelo Vicente, durante o Regional ECBR CE, realizado nesta quarta-feira, 4, em Fortaleza.
Na avaliação de Vicente, a mudança no destino do dinheiro dos consumidores tende a beneficiar também as compras pela internet, acompanhando o crescimento registrado no varejo tradicional.
“Se tem dinheiro que era destinado a apostas e começa a ficar disponível de uma forma geral, vai conseguir transferir isso para os canais digitais”, afirmou. O conselheiro acrescentou que parte do aumento no consumo observado nas lojas físicas também deve alcançar o comércio online.
A influência das apostas sobre o desempenho do varejo já havia sido mencionada por representantes do setor, entre eles Luiza Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza, que apontou as bets como um dos fatores relacionados à crise enfrentada pelo segmento.
No ramo supermercadista, os reflexos também foram percebidos. Conforme levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o consumo no varejo alimentar avançou nacionalmente após a proibição das plataformas de apostas, oficializada em 25 de setembro. O Nordeste apresentou a terceira maior elevação, com crescimento de 6,5%.
No Ceará, a Associação Cearense de Supermercados (Acesu) identificou aumento na procura por produtos básicos, como arroz, óleo, macarrão e café, após o encerramento das bets.
Comércio eletrônico cearense movimenta R$ 10 bilhões
Entre janeiro e outubro de 2026, as vendas pela internet no Ceará registraram expansão de 18,5% na comparação com igual intervalo de 2025. O volume financeiro alcançou R$ 10 bilhões, distribuídos em 57 milhões de produtos comercializados por meio de mais de 30 milhões de pedidos.
Os números são de um levantamento da Confi, realizado pela Neotrust em parceria com o E-Commerce Brasil. Mesmo em outubro, primeiro mês completo após a proibição das apostas, o faturamento mensal do comércio digital no Estado permaneceu na faixa de R$ 1 bilhão.
O resultado coloca o Ceará com participação de 2,8% no faturamento nacional do e-commerce em 2026. Até outubro, o mercado brasileiro acumulou R$ 350 bilhões em vendas online.
Apesar do avanço financeiro, os indicadores apontam redução na quantidade de produtos adquiridos e no valor médio das compras. No período analisado, cada pedido no Ceará teve, em média, 1,88 item, uma queda de 4,5% em relação aos dez primeiros meses do ano passado.
O preço médio das mercadorias também diminuiu cerca de 10%, chegando a R$ 176,16. Já o tíquete médio das compras apresentou retração de 13,7%, ficando em R$ 331,24.
Mercado regional busca ampliar competitividade
Para o head de negócios da Neotrust, Léo Bicalho, o comércio eletrônico cearense demonstra evolução, mas ainda precisa superar obstáculos, especialmente relacionados às diferenças nos custos de frete.
Bicalho destacou que o Nordeste passou a ocupar, desde 2024, a segunda posição entre os mercados de maior faturamento do e-commerce brasileiro. Segundo ele, o setor segue em processo de expansão e busca aprimorar o atendimento aos consumidores da região.
O executivo também apontou a presença física de grandes redes varejistas nacionais como uma vantagem competitiva diante dos marketplaces. Apesar disso, ressaltou que os comerciantes locais enfrentam uma concorrência cada vez maior das plataformas digitais.






