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Ministro de Lula é citado por Vorcaro em relato sobre suposto caixa 2 eleitoral

Segundo os relatos apresentados, Vorcaro afirmou ter destinado R$ 20 milhões em recursos não contabilizados para a campanha de Silveira ao Senado nas eleições de 2022

Foto: Roque de Sá/Agência Senado | Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, mencionou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em propostas de acordo de colaboração entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF). Segundo os relatos apresentados, Vorcaro afirmou ter destinado R$ 20 milhões em recursos não contabilizados para a campanha de Silveira ao Senado nas eleições de 2022, quando o político disputava a permanência no cargo pelo PSD de Minas Gerais. As informações são do Blog da Malu Gaspar, do Jornal O Globo.

Fontes ligadas às apurações indicam que Silveira é o único integrante do primeiro escalão do governo Lula citado nos documentos entregues pelo empresário. No entanto, investigadores apontam que as informações apresentadas carecem de detalhes, especialmente sobre possíveis contrapartidas relacionadas ao suposto repasse irregular, o que tem sido considerado insuficiente para avançar em um acordo de delação.

Procurado para comentar o assunto, o ministro não respondeu aos questionamentos. Pessoas próximas a Silveira afirmam que ele sequer mantinha relação com Vorcaro no período mencionado, motivo pelo qual consideram a acusação sem fundamento.

Em 2022, Alexandre Silveira ocupava no Senado a vaga anteriormente pertencente a Antonio Anastasia, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), de quem era suplente. Naquele ano, disputou a reeleição em uma chapa apoiada pelo presidente Lula e encabeçada por Alexandre Kalil ao governo mineiro. Ambos acabaram derrotados nas urnas.

Natural de Minas Gerais, Silveira possui interlocução frequente com setores empresariais do estado. Em dezembro de 2024, participou de uma reunião no Palácio do Planalto que contou com a presença de Lula, Vorcaro, Guido Mantega, Rui Costa e Gabriel Galípolo, então indicado para comandar o Banco Central.

Registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não apontam doações oficiais feitas por Vorcaro ou por seu cunhado, Fabiano Zettel, à campanha de Silveira ao Senado. Zettel, apontado como operador financeiro do banqueiro, declarou contribuições milionárias para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nas eleições de 2022.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo revelou ainda que Silveira esteve na residência de Vorcaro, em Belo Horizonte, durante o segundo turno das eleições municipais de 2024. Mensagens atribuídas ao banqueiro indicariam que ele participava de uma reunião com o ministro e com o empresário Eduardo Wanderley, ligado à 3D Mineração, empresa que recebeu investimentos do Banco Master.

Até o momento, Alexandre Silveira aparece como o principal aliado do presidente Lula citado nos relatos apresentados por Vorcaro às autoridades. Apesar de especulações sobre uma nova candidatura ao Senado, o ministro decidiu permanecer no comando do Ministério de Minas e Energia, atendendo a um pedido do presidente para seguir no governo até o fim do atual mandato.

As investigações também observam possíveis conexões envolvendo integrantes do grupo político da Bahia. Entre os nomes mencionados estão o ex-governador e ex-ministro Rui Costa, associado à autorização do programa Credcesta no estado, e o senador Jaques Wagner, ligado à formulação do modelo de edital que posteriormente seria operado pelo Banco Master.

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