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Jaques Wagner diz não acreditar em saída da liderança do governo: “Não acho que Lula fará isso”

A declaração foi feita após o parlamentar se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal

Foto: Alessandro Dantas/AgSenado

O senador Jaques Wagner afirmou que permanecerá na liderança do governo no Senado enquanto contar com a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita após o parlamentar se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal, que realizou buscas em imóveis ligados a ele em Salvador e Brasília no contexto das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.

Em entrevista à BandNews, Wagner disse que não recebeu qualquer sinalização de afastamento e relatou ter conversado com Lula após a ação policial. Segundo ele, o presidente manifestou apoio e reafirmou confiança em sua conduta. O senador também garantiu que seguirá com os planos de disputar a reeleição ao Senado na chapa liderada pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

Ao comentar o caso, Wagner negou ter mantido relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com o senador, os contatos ocorreram apenas em ocasiões pontuais, intermediados por Augusto Lima, empresário que também foi alvo das diligências da PF e já havia sido investigado em etapas anteriores da Operação Compliance Zero.

O parlamentar afirmou que a aproximação com Augusto ocorreu em razão de negócios relacionados ao Credcesta. Segundo sua versão, o empresário adquiriu uma rede de supermercados e posteriormente buscou apoio financeiro junto a instituições bancárias, contexto em que teriam surgido as conexões com o antigo Banco Máxima e, mais tarde, com o Banco Master.

A autorização para as buscas foi concedida pelo ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Os investigadores apuram indícios de possíveis vínculos irregulares entre Wagner, Vorcaro e Augusto Lima.

Conforme a Polícia Federal, a investigação concentra-se em três principais linhas de apuração: a negociação de um imóvel de alto padrão em Salvador que teria envolvido empresas ligadas ao grupo investigado, transferências financeiras para a BN Financeira, empresa associada à família do senador, e uma suposta atuação em pautas legislativas de interesse do Banco Master.

Entre os elementos reunidos pela PF estão registros de mensagens, ligações telefônicas, encontros presenciais e deslocamentos em aeronaves particulares, apontados como sinais da proximidade entre Wagner e Augusto Lima. Os investigadores destacam ainda conversas ocorridas durante as negociações para a venda do Banco Master ao BRB, além de trocas de informações sobre propostas legislativas, requerimentos apresentados no Senado e discussões envolvendo uma CPI relacionada à instituição financeira.

A apuração também menciona um apartamento localizado no empreendimento Poème Horto, em Salvador. Segundo a Polícia Federal, Augusto Lima teria participado de tratativas envolvendo o imóvel junto a operadores financeiros ligados ao grupo de Vorcaro. Wagner, por sua vez, afirmou que o objetivo era ajudar a filha a adquirir a propriedade futuramente.

O senador explicou que cogitou utilizar o imóvel como presente para a filha, mas que a compra dependeria da venda de outro apartamento ou da contratação de financiamento. Avaliado em cerca de R$ 2,4 milhões, o bem ainda estava em construção, o que, segundo ele, justificaria a busca por alternativas para viabilizar a aquisição.

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