O senador Cid Gomes (PSB-CE) afirmou que já tinha conhecimento de que a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal não reunia votos suficientes para aprovação no Senado. Segundo ele, o nome não ultrapassaria a marca de 35 apoios entre os parlamentares. A informação é das jornalistas Thaísa Oliveira e Catia Seabra, da Folha de S.Paulo.
Cid não participou da sessão que rejeitou o indicado, realizada na quarta-feira, 29, pois estava em viagem a Lisboa, em Portugal. De acordo com o senador, o compromisso internacional já estava agendado previamente, e o próprio Messias havia sido informado de que não contaria com seu voto favorável.
O parlamentar também fez críticas à condução da escolha por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontando ausência de “espírito republicano” na decisão. Ele destacou que o Senado já havia aprovado indicações anteriores do chefe do Executivo, como Cristiano Zanin e Flávio Dino, e considerou excessiva a tentativa de emplacar um terceiro nome com perfil próximo ao governo.
“Ele indicou o Zanin, que tinha sido advogado dele. Um advogado competente, respeitado, muito bem. Depois indicou um cara que é da política, aliado dele historicamente. Tudo bem, foi aprovado. Depois vira brincadeira. Acho que faltou espírito republicano na indicação. Nada, repito, nada contra o garoto lá [Messias]”, afirma Cid.
Na avaliação do senador, a rejeição histórica foi resultado de uma combinação de fatores políticos. Entre eles, citou o descontentamento de senadores com a decisão de não indicar o ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para o cargo. Cid afirmou que Pacheco era visto como um nome de consenso, com reconhecimento por sua atuação institucional, especialmente em momentos de tensão política. Para ele, a escolha de outro candidato gerou frustrações dentro do Senado.
“Mas foi uma soma de fatores. Pode ter certeza que tem cobra, periquito, lagarto, tem tudo no meio. Tem gente que está insatisfeita porque é contra o PT em um lugar, tem gente que está insatisfeita porque foi excluída pelo PT em uma chapa, em uma aliança. Tem todos os sentimentos”, afirmou.
