As articulações para a chapa governista de 2026 começam a ganhar forma no Ceará, e um nome aparece no centro desse debate político: Cid Gomes.
Embora o governador Elmano de Freitas seja o principal beneficiário da construção de uma base ampla para a reeleição, é o senador quem tem assumido o papel de articulador dos bastidores.
Oficialmente, Cid mantém apoio à pré-candidatura de Júnior Mano ao Senado. Nos corredores da política, porém, a leitura é a de que sua própria candidatura à reeleição estaria condicionada à formação de uma chapa considerada forte o suficiente para atravessar a disputa sem grandes dificuldades.
É aí que surge o nome de Luizianne Lins.
Hoje filiada à Rede, a ex-prefeita de Fortaleza passou a ser vista como uma alternativa capaz de agregar densidade eleitoral à chapa governista. Além da representatividade feminina, Luizianne carrega influência junto a setores históricos da esquerda e mantém capilaridade em segmentos populares da capital.
O movimento chama atenção porque reúne atores que, até pouco tempo atrás, pareciam caminhar em direções opostas. A missão de aproximá-los tem sido conduzida justamente por Cid, que tenta evitar a dispersão de votos no campo governista e ampliar a competitividade do bloco para 2026.
Mas essa costura está longe de ser simples.
O histórico de divergências entre Luizianne e o ministro Camilo Santana continua sendo um fator relevante nas negociações. Apesar dos sinais recentes de distensão e de gestos públicos mais amistosos, as cicatrizes políticas acumuladas ao longo dos anos ainda pesam.
Além disso, outros atores da base observam a movimentação com cautela. Eunício Oliveira, por exemplo, também tem interesse em uma vaga ao Senado e representa um dos focos de resistência a uma composição que poderia reduzir seu espaço no projeto governista.
A chapa que circula nos bastidores – Elmano ao Governo, Domingos Filho como vice e Cid Gomes e Luizianne Lins no Senado – tem como objetivo consolidar a unidade do campo governista antes que a oposição consiga organizar uma candidatura mais competitiva.
A articulação busca testar a capacidade de convivência entre lideranças que carregam histórias, projetos e interesses distintos, como está acontecendo agora na aliaça entre Ciro Gomes e André Fernandes. A grande questão é saber quem estará disposto a abrir espaço para que ela exista.




