A Câmara Municipal de Morada Nova publicou, nessa quarta-feira, 9, um edital convocando quatro vereadores para reassumirem seus mandatos após o encerramento do período de 180 dias de afastamento. O prazo terminou na terça-feira, 8, encerrando também a atuação temporária dos suplentes que ocupavam as cadeiras no Legislativo.
Foram convocados Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT), Cláudio Roberto Chaves da Silva, o Cláudio Maroca (PT), Lucia Gleidevania Rabelo, conhecida como Gleide Rabelo (PT), e José Gomes da Silva Júnior, o Júnior do Dedé (PSB). De acordo com o edital, eles têm prazo de 15 dias para se apresentar.
A convocação da Câmara, entretanto, não significa que os parlamentares possam retornar imediatamente às atividades legislativas. O exercício dos mandatos ainda está condicionado à situação das medidas cautelares impostas pela Justiça. As defesas deverão buscar judicialmente a revisão ou retirada das restrições que impedem o retorno às funções.
Enquanto não houver uma decisão judicial permitindo a retomada dos mandatos, as quatro cadeiras permanecem sem ocupação efetiva.
Afastamentos ocorreram após operação em março
Os vereadores foram afastados após uma operação realizada em março deste ano pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE). Na ocasião, cinco parlamentares de Morada Nova foram presos durante a Operação Traditori.
Além dos quatro vereadores agora convocados pela Câmara, também foi preso naquela operação José Regis Nascimento Rumão (PP).
As investigações apuram a atuação de uma organização criminosa suspeita de interferir no processo eleitoral do município por meio do financiamento ilícito de campanhas. Segundo a apuração, recursos provenientes de uma facção criminosa teriam sido utilizados para custear campanhas eleitorais em Morada Nova.
Hilmar Sérgio, que ocupava a presidência da Câmara, e Gleide Rabelo, integrante da Mesa Diretora, tiveram posteriormente a prisão preventiva revogada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE). Conforme informou à época o advogado Fernandes Neto, o tribunal entendeu não haver contemporaneidade entre a decretação das prisões e os fatos relacionados às eleições de 2024.
Apesar da liberdade concedida, foram mantidas medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Município teve seis vereadores presos em 2026
O caso ganhou um novo desdobramento em maio, quando outro vereador de Morada Nova, José Weder Basílio Rabelo (PP), foi preso em uma operação que investigava o braço financeiro de uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 500 milhões.
Com a prisão, chegou a seis o número de vereadores do município detidos ao longo de 2026 em investigações relacionadas à atuação de organizações criminosas.
O processo envolvendo os parlamentares presos na Operação Traditori tramita sob sigilo de Justiça. Com o fim dos 180 dias de afastamento, a definição sobre o retorno dos quatro vereadores convocados agora depende de manifestação do Poder Judiciário.






