A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, afirmou nesta terça-feira, 10, que as mulheres ainda vivem submetidas a um “poder violento” e classificou como “estarrecedores” os números relacionados à violência contra esse grupo no país. A declaração foi feita durante a abertura da sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em um pronunciamento marcado pelas reflexões sobre o Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo.
Durante o discurso, a ministra disse que o cenário atual é incompatível com uma sociedade civilizada. Segundo ela, os episódios de violência revelam níveis elevados de crueldade e exclusão contra as mulheres.
Cármen Lúcia também ressaltou que agressões contra mulheres afetam simbolicamente todas elas. Para a magistrada, quando uma mulher é vítima de violência, todas acabam sendo atingidas, principalmente no que diz respeito à garantia de direitos.
“Temos experimentado situações de muita crueldade, perversidade e exclusão. Quando se bate, se mata uma mulher, cada uma de nós é açoitada, violentada, principalmente ferida nos nossos direitos”, disse.
A ministra ainda destacou que a realidade feminina não é igual para todas. De acordo com ela, muitas mulheres continuam sem acesso pleno a direitos e ao respeito necessário em diferentes espaços da sociedade.
Em outro momento da fala, Cármen Lúcia comentou a diferença na forma como meninos e meninas costumam ser educados. Segundo a ministra, enquanto os garotos frequentemente recebem brinquedos ligados a guerras e combates, como espadas, as meninas raramente são estimuladas a aprender a lutar desde a infância.




